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domingo, 12 de janeiro de 2014

Balada


Xiii, já estou atrasado, vou tomar banho correndo e me arrumar.
Depois de seis meses insistindo,f inalmente Soraia resolveu aceitar meu convite.
Às vezes nem acredito, a mulher é maior gata, mó gostosa...
Ah, não acredito, faltou luz logo agora na hora de eu sair do banho.
Hum, deixa eu ver, vou acender a luz do celular para iluminar, deixa eu ver... essa calça, essa camisa, só pode ser brincadeira, acabou a bateria, vou ter que carregar no carro... vou colocar essa Cueca.
Acho que engordei um pouco, essa cueca está apertada,  mas tudo bem, vai dar uma imprensada, vai dar uma valorizada...
Bom, já estou pronto, mas isso está incomodando pouco, mas vamos que vamos.
A pista está lotada, não vejo Soraia... putz essa cueca está incomodando, vou disfarçar aqui me remexendo, pra ver se alivia.
Opa, lá está a Soraia, vou lá.
- Oi, e aí?
- Claudio, tudo bem? Eu estava vendo como você gosta de dançar.
- Gosto mesmo, quer dançar?
- Vamos.
- Hum, você está muito cheirosa
- Você também
Bom, conversa vai, conversa vem, o clima esquentou, tanto beijo, tanta mão, tantos dentes e unhas... Foi quando ela sussurrou no meu ouvido: 
- Vamos sair daqui?
- Quer ir pra onde?
- você me deu uma vontade louca de realizar minha fantasia de transar no banheiro de uma balada.
Putz, não preciso nem dizer, a arrastei correndo e entramos no banheiro e o bicho pegou novamente.
Estava indo tudo tão bem, quando com um olhar safado e um sorriso nos lábios, ela foi descendo, abriu zíper, abaixou minha calça e para a minha frustração, ela resmungou e saiu correndo do banheiro, tentei ir atrás, mas ela sumiu.
Mandei-lhe um sms e logo em seguida ela me respondeu:
- Soraia,  o que aconteceu? Fiz algo errado?
- Claudio, você vai me desculpar, mas com a cueca do Ben 10, não vai rolar.
Corri para o banheiro e não acreditei quando olhei, puta que pariu, eu estava com a cueca do meu filho de 10 anos.

Alex Huche

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Avatares

             Porra, ela reclamava, dizia que nossa cama estava insossa, dizia que deveríamos apimentar a nossa relação. 
             Bem que eu tentei! Assistimos a um filme, tomamos um bom vinho, comemos um belo queijo, o clima estava romântico. Quando resolvi improvisar. Aproveitei que as crianças estavam na casa da minha sogra, disfarcei e me ausentei por quinze minutos, não levei mais do que isso. Preparei-me todo, sala na penumbra. E fiz minha entrada triunfal. Pelo menos, assim, eu esperava. Queria mesmo surpreendê-la, e a surpreendi, foi quando, ao me ver, ela perguntou: 
- Filho da Puta, que merda é essa? Virou um Smurf? Por que você está todo azul? 
        Tentei explicar, ainda com uma pose sensual, encostado na escrivaninha: 
- Amor, lembra que você achou sexy, o avatar? Então, me pintei inteiro com tinta guache... 
- Caralho, você está cagando a casa inteira. 
        Foi quando ela correu para pegar algo para limpar a sujeira e eu não resisti, cruzei a sala correndo, subi no sofá e saltei sobre ela, interceptando-a, sem que ela esperasse. Ainda no ar, gritei: 
- Não foge, não, Dragão. 
       Agarrei-lhe os cabelos, a dominando enquanto ela tentava se desvencilhar a todo custo. 
      Ah, foi o sexo mais selvagem que fizemos. 
      Extasiado, adormeci e é agora no meio da noite, que percebo que ela não gostou, nem um pouco, do que houve, pois sinto uma faca cravando em meu peito e a vejo toda de azul a fitar-me nos olhos e suas últimas palavras a mim foram: 
- Eu vejo você e Dragão é a puta que te pariu! 

 Alex Huche

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A Seta É O Alvo Na Seta

Imagem do Blog: comnbrasil.blogspot.com

Fórmula Para Se Viver um Grande Amor

Para se viver um grande amor é preciso coragem...
É preciso, acima de tudo, coragem para se perceber perdido de si mesmo e entregue há uma força imensa que lhe toma o juízo, que lhe faz forte ao lado da pessoa amada, que lhe faz fraco quando se vê só.
É preciso coragem para enfrentar o mundo, para renegar os conselhos de quem lhe quer tanto bem, mas que por diversos motivos já descrentes do amor, acham que sua existência é ilusão.
Ah é preciso muita coragem, pois as desilusões da vida deixam marcas profundas na alma, no corpo...  Marcas que nos fazem temer o medo de ter medo de amar.

Para se viver um grande amor é preciso ter medo...
É preciso ter medo para se permitir abrigar-se no colo de outra pessoa.
É preciso ter medo de tudo, de não saber como viver sem a pessoa amada, de não saber como viver com a pessoa amada... É preciso medo para mostrarmo-nos fortes, para valorizarmos a coragem de vivê-lo.

Para se viver um grande amor é preciso autruísmo...
É preciso autruísmo para se preocupar com o bem estar do próximo, para aninhá-lo no seu peito até que todo receio e preocupações da vida se dissipem e o outro possa enfim sentir-se sereno e feliz.

Para se viver um grande amor é preciso egoísmo...
É preciso estar egoísta para querer aquela pessoa tão especial só para si.
É preciso egoísmo, um egoísmo tão intenso que nada mais importará a não ser o seu próprio bem estar.

Para se viver um grande amor é preciso uma paixão imensa...
É preciso paixão pela vida, paixão pelo prazer de ser dois... Paixão por aquele que instintivamente seu coração escolheu e o escolheu como companheiro.
Uma enorme paixão é necessária para converter-se num grande amor, pois quando abranda o fogo da paixão, quando serena a alma que sossegadamente pára de buscar novas paixões, novos amores, surgem laços tão fortes que não receberá outro nome que não seja Amor.


Alex Huche

terça-feira, 23 de abril de 2013

Série Pã, O Sátiro - I

Equinócio 

A primavera chegou radiante, 


Perséfone deixara para trás, 


Hades e o seu Reino dos Mortos. 


As flores enfeitavam o caminho 

por onde a deusa passava 


e como sempre, Pã, o deus da alegria, 


Perseguia uma bela ninfa 


que fugia como Siringe. 


Pã se escondera e a vira se transformar 


em uma bela borboleta, 


que voou em sua direção, 


tocou-lhe o rosto carinhosamente com suas asas, 


encantado com tamanha beleza, 


ele lhe estendeu a mão, 

mas por capricho ou por receio, 


a borboleta não pousou na palma da mão do sátiro 


e voou, voou para longe de Pã, 


onde ele não pudesse tocar seu coração.



Pã abriu um sorriso sem graça, 


limpou os seus cascos e partiu. 


Como no equinócio não há prevalência 


entre Apolo ou Diana, 


também não há amor ou desamor 

no coração de Pã.


O mundo se encanta mais uma vez 


ao ver Perséfone passar acompanhada 


de ninfas, náiades e Pã, 


que "alegremente" dança e ri.

 
Alex Huche

Série Pã, O Sátiro - II

A Chuva e Pã




Ante Alfeu, rio de águas puras e cristalinas,


que descem suavemente através da mata


batendo nas folhas, no mato,


rolando as pedras...


Quem poderia imaginar?


Um homem-bode sentado


toca sua flauta mansamente


e a lua brilha ao fundo,


os pássaros quietos o espiam...


Um vento sopra vagarosamente.


As folhas sobem,


os pássaros se agitam


e o Sátiro quieto, espera o encontro.


A lua se esconde trazendo a escuridão,


um vento revolto sopra


em seus cabelos desgrenhados,


traz um cheiro de amor


e de terra molhada anunciando que ela,


a tempestade, estava chegando.


A chuva cobriu o corpo de Pã,


ficaram assim por um bom tempo,


Pã tocando sua flauta


com a chuva banhando seu corpo


e o vento a bailar com as folhas da floresta.


O rio cresceu com as águas da chuva,


desce apressado e às vezes fica manso,


quieto, sereno em busca de Aretusa.


A lua reclamou seu reino noturno


pedindo para voltar.


O vento espantou as nuvens e a chuva se foi.


Pã, de cabeça baixa estendeu o braço


numa tentativa inútil de deter sua partida,


sentindo apenas uma última gota


a beijar-lhe a palma da sua mão,


nesse momento,


o Sátiro sorriu e correu feliz voltando para a mata,


no céu a lua voltou a reinar


e o Alfeu continuou a correr em busca do seu amor.




Alex Huche

Série Pã, O Sátiro - III

E na Arcádia...

Pã, mais uma vez,
em confusão amorosa.
Sátiro tolo,
Atormentado por Eros,
não sabe o que é amar.
Corre Pã,
corre atrás da sua amada
ou corre para os seus sonhos,
só não fique parado.
Vai bode velho!
Vai se foder!


Alex Huche

Série Pã, O Sátiro - IV

Tio Pã

Aquele que brinca de se esconder,
escondendo-se em si mesmo.
É o que se ferra com as malditas(amadas) 
flechas de eros.
Aquele que observa o momento certo de agir,
enquanto age.
Aquele que como homem, caminha.
Não raramente, tropeça nas pernas de bode
e cai, tal qual um menino que pede colo. 
Ao som de sua flauta percorre florestas
muitas vezes solitário.
Vai, continue a tocar! 
Sua flauta não toca notas, 
mas palavras que encantam.

Pamela Koré