.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Série Pã, O Sátiro - II

A Chuva e Pã




Ante ao Alfeu, rio de águas puras e cristalinas,


que descem suavemente através da mata


batendo nas folhas, no mato,


rolando as pedras...


Quem poderia imaginar?


Um homem-bode sentado


toca sua flauta mansamente


e a lua brilha ao fundo,


os pássaros quietos o espiam...


Um vento sopra vagarosamente.


As folhas sobem,


os pássaros se agitam


e o Sátiro quieto, espera o encontro.


A lua se esconde trazendo a escuridão,


um vento revolto sopra


em seus cabelos desgrenhados,


trazendo-lhe um cheiro de amor


e de terra molhada anunciando que ela,


a tempestade, estava chegando.


A chuva cobriu o corpo de Pã,


ficaram assim por um bom tempo,


Pã tocando sua flauta


com a chuva banhando seu corpo


e o vento a bailar com as folhas da floresta.


O rio cresceu com as águas da chuva,


desce apressado e às vezes fica manso,


quieto, sereno em busca de Aretusa.


A lua reclamou seu reino noturno


pedindo para voltar.


O vento espantou as nuvens e a chuva se foi.


Pã, de cabeça baixa estendeu o braço


numa tentativa inútil de deter sua partida,


sentindo apenas uma última gota


a beijar-lhe a palma da sua mão,


nesse momento,


o Sátiro sorriu e correu feliz voltando para a mata,


no céu a lua voltou areinar


e o Alfeu continuou a correr em busca do seu amor.




Alex Huche

Nenhum comentário:

Postar um comentário